quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

I always catch my breath.

Eu olho ao meu redor e não tem nada, não tem ninguém. Nada além de uma parede de fotos atrás de mim, de uma janela molhada da chuva, das minhas roupas espalhadas no chão e dos papeis cheios de versos sem valores por todos os cantos do quarto. Novamente, me encontro sozinha... Tem sido sempre assim ultimamente, sem mensagens novas apitando o celular, sem forças pra querer sair da cama, com a nossa musica dando replay no I-pod, milhões de 'eu te amo' que não existem mais girando na minha cabeça... E a minha companhia? Ela se chama imaginação.
Talvez se eu mudasse de cômodo, pra tentar te encontrar, me encontrar. Mas você não vai estar na cozinha, nem na sala, nem no corredor, não vai estar em nenhum lugar além das partes do meu corpo, sua presença não vai passar da minha amiga imaginação e daquela lembrança, do seu perfume que ficava em mim todas as sextas depois que a gente se via. Se beijava. Dizia se amar. Eu me levanto, me deito, tampo minha cabeça com o travesseiro, então eu grito. Choro, grito, canto, pulo, dou risada de mim mesma, choro, não passa. Então eu escrevo, e dessa ultima vez escrevi uma carta que em seguida coloquei dentro de um caderno, dentro da cômoda. Sim, era uma carta pra você, ou pra mim... Porque talvez você nunca leia, porque talvez ela não vá sair de dentro do caderno, dentro da cômoda tão cedo.
A falta de entender, o querer entender, o saber que muitas vezes é melhor não entender. A saudade do inexistente eu te amo, a vontade de dizer, digita-lo e apaga-lo por saber que não vai haver uma resposta e que sem resposta a saudade vai tomar conta de mim e me derrubar. Não sei o que tem que ser, como tem que ser, como eu quero que seja agora, então, eu apenas vou caminhar, sozinha, sem rumo e como intuito de te esquecer se descobrir que esse vai ser o melhor pra mim naquele momento, mesmo sabendo que as chances maiores são de não ser, ou de eu não conseguir. Você não é pra mim, eu não sou pra você, pensar nisso nunca doeu tanto. Eu te amo incondicionalmente, mas nem por isso vou ficar sem me mexer, nem por isso vou estar na sua mão. Não mais, não agora.
Camilla V.

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